Mudrá, Poesia feita com as mãos

Sabe aqueles gestos que fazemos diariamente com as mãos? Alguns bem agradáveis, outros menos e, que ao executá-los logo automaticamente é levada uma informação ao cérebro que já tem no seu registo o que aquele gesto específico significa. Ou seja, já está guardado no inconsciente coletivo. E de acordo com essa informação, você vai ter uma determinada reação.


Então, no Yoga também temos gestos.


Já ouviu falar em Mudrá? (pronuncia-se mudraa). São gestos simbólicos, reflexológicos e magnéticos feitos com as mãos, significando, literalmente, gesto, selo, senha ou chave.

É como descobrir a chave que abre o portal diretamente ao seu inconsciente. Um inconsciente que nos liga coletivamente. Devem começar nos dedos e terminar no ombro. Provém da raiz mud, alegrar-se, gostar.


Trata-se da parte do Yoga que estuda e aplica os efeitos dos gestos sobre o psiquismo e, por consequência, sobre o corpo físico. Os mudrás atuam por associação neurológica e por condicionamento reflexológico. Existe também uma componente cultural, que reforça ou atenua seus efeitos.


Há diversos estudos publicados nas áreas de antropologia e de psicologia demonstrando que em épocas diferentes, hemisférios diferentes, etnias e culturas diferentes, os mesmos gestos sejam observados, com o mesmo significado. Entretanto não há nada de extraordinário nisso. É fácil perceber como todos os povos expressam sua satisfação e cordialidade através do sorriso e sua revolta através do punho cerrado. Provavelmente você também se está a lembrar de vários outros exemplos neste momento.


Então, aqui temos à semelhança dos gestos que todos já fazemos universalmente no dia a dia. Neste caso, já não é algo novo para o corpo humano.


Mas pode ser usado com uma outra consciência, mais poderosa e mais profunda. E é isso que fazemos no Yoga.


Eles são usados no Yoga para aceder a determinados setores do inconsciente coletivo, conectando o praticante às origens de sua linhagem de Yoga.


Mas eles são também usados no budismo e, na dança Indiana, ou posições usadas em algumas artes marciais. E, tal como disse, no dia-a-dia. Eles estão espalhados por todo o mundo, em todas as culturas.


Um outro exemplo simples, é verificar, que a maioria de nós quando fala, gesticula com as mãos. E por vezes elas podem nos denunciar. Algo muito positivo também, foi ser possível descobrir um alfabeto com as mãos para que pessoas sem fala ou audição pudessem comunicar.


O número total de mudrás é incerto, uma vez que, dependendo da região, da época e da Escola, os mudrás têm nomes diferentes e até mesmo dois ou três nomes para o mesmo mudrá, dependendo apenas da maneira como ele é executado. Pode-se contudo, compilar mais de 100.


Os mudrás do hinduísmo são originários da antiga tradição tântrica e tanto o Yoga quanto a dança clássica hindu, o Bhárata Natya, utilizam-se deles. Nos Yogas mais tardios essa arte ficou praticamente extinta, limitando-se a uns poucos mudrás. O praticante de Swásthya Yoga deve cultivá-los com sensibilidade e dedicação, utilizando-os na sua prática diária e, com muito mais empenho, no seu treinamento de coreografia.


Os mudrás são divididos em duas categorias: samyukta hasta (com as duas mãos) e asamyukta hasta (com uma só mão).


Uma curiosidade, os dedos estão relacionados com os cinco elementos. O dedo mínimo representa a água; o anelar, a terra; o médio, o éter; o indicador, o ar; e o polegar, o fogo. As combinações dos dedos e a posição deles (esticado, flexionado etc) permitem uma grande variedade de opções de conexão com as energias primordiais do universo. Existem vários tipos de mudrás, e cada um deles traz significados diferentes. Em algumas filosofias são até utilizados com fins terapêuticos, de acordo com as nossas necessidades.


Os Mudrás podem também ser associados em conjunto com a respiração para aumentar o fluxo de Prana no corpo. Segundo as antigas escrituras indianas, o Prana é a energia vital universal que permeia o cosmo, absorvida pelos os seres vivos por meio da respiração. Você pode saber mais sobre o Prana na prática sobre respiração com o meu colega Carlos Cunha.

Há milhares de anos, sábios na Índia passaram a estudar os efeitos de cada gesto no nosso corpo.


Ao praticar os mudrás, desenvolvemos uma conexão com os padrões no cérebro que influenciam os reflexos inconscientes nas diferentes áreas do nosso corpo. Ou seja, a energia interna é reequilibrada e direcionada, criando um impacto direto em nosso corpo físico, emocional e pensamentos.


Frequentemente usados como ferramentas para concentração e expansão da consciência durante práticas meditativas.


Estes gestos também podem ser associados a ásanas durante a prática do Yoga, complementando ou mesmo intensificando as qualidades e beleza dessas posições.

É isso que vamos trabalhar na minha prática no VIVA+YOGA, levar a consciência às mãos, aprender alguns Mudrás e sua chave para o inconsciente em conjunto com o ásana, criando uma prática simples e poderosa em formato coreográfico.


É aqui que cada um vai descobrir a sua chave para abrir esse portal, enquanto faz uma linda poesia com as suas mãos.


Estamos em uma época em que não podemos descuidar do equilíbrio emocional e físico, não é mesmo?


Por isso, convido-o a vir descobrir o poder desta bela ferramenta e poderosa na minha prática no VIVA+YOGA2022.

24 visualizações0 comentário

Posts recentes

Ver tudo